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Moda sustentável inova o processo de criação e vira tendência

Preocupação com desperdício chama a atenção de designers e fabricantes e a moda sustentável se destaca no mercado mundial. Confira!

Moda sustentável inova o processo de criação e vira tendência
Moda sustentável inova o processo de criação e vira tendência

O mercado da moda sempre esteve relacionado ao consumo desenfreado e supérfluo, ou melhor, desnecessário, se pensarmos em trocas de coleções a cada estação. O fato é que todo mundo está mais consciente e buscando alternativas mais sustentáveis, desde a fabricação, distribuição até o aproveitamento das peças de roupa.

Moda sustentável inova o processo de criação e vira tendência

O Brasil sempre foi um país de abundância em matérias primas orgânicas, como a palha, a ráfia e o algodão, tanto para compor acessórios, como bolsas, chapéus e bijuterias, quanto para tecer fios de texturas com a cara dos trópicos.

A boa notícia é que os tecidos naturais ganham a cada dia novas versões, a partir não só mais do algodão, mas da fibra do bambu, ou do curauá - extraído de uma bromélia da Amazônia. A grife brasileira Osklen, de forte ligação com a natureza, é um exemplo de quem privilegia esse diferencial.

Apoiadora de outras iniciativas sustentáveis, a marca é também fundadora do Instituto-e, ONG que promove desenvolvimento através de ideias verdes. Peças de seda ecológica, acessórios de couro de peixe e malha de algodão com garrafa PET são alguns dos produtos encontrados nas prateleiras de suas lojas.

Uma pesquisa britânica revelou que se cada pessoa da Inglaterra (cerca de 50 milhões de habitantes, quase um quarto do Brasil) comprasse pelo menos uma peça de roupa feita com tecido reciclado por ano poderiam ser poupados 371 milhões de galões de água, 480 milhões de toneladas de corantes químicos e a quantidade de energia elétrica equivalente ao consumo médio de uma família por 12 anos.

Reaproveitar peças que foram descartadas é uma forte tendência que tem tudo para virar realidade nos próximos anos. Alguns sugerem a onda dos empréstimos e os brechós acabam sendo ótima alternativa para aumentar os ciclos de vida útil de uma roupa de moda. Mas, no que depender dos designers da London Fashion Week, a reconstrução de peças deve se tornar o próximo sucesso das vitrines.

Processo de criação
O maior desafio para esses estilistas não é apenas reutilizar tecidos, mas conseguir se enquadrar às leis de consumo. Porque, nesse caso, o processo de criação é o inverso: não é mais o tecido que se adapta ao conceito, mas o conceito que precisa se adequar ao tipo de tecido disponível.

A estilista Stella McCartney, famosa por seus recortes simples e modernos, sempre teve um viés ecológico. A linha que desenvolveu para Adidas, composta de tecidos orgânicos derivados do eucalipto, inclui calçados de lona natural, de borracha reciclada e com solas de polpa de madeira.

Desenvolvida em laboratório
A chamada biocostura, método inovador na produção de tecidos, mistura genética e outras intervenções próprias de tubo de ensaio.

A faculdade de moda mais famosa do mundo, a Central Saint Martins, em Londres, desenvolveu fibras através da ideia básica de fermentar chá verde com açúcar usando bactérias que degradam a cafeína. Desse caldo, brotam pequenos fios que, aglomerados, formam placas de celulose tão finas quanto papiros.

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Outra inovação, desenvolvida em um laboratório de Seul, na Coreia do Sul, foi a produção de fibras de teias de aranha por meio de bactérias. Como é difícil obter os fios das teias na natureza, já que as próprias aranhas acabam digerindo-as, os cientistas inserem os genes secretores da proteína da teia de aranha em bactérias comuns.

Fabiana Tavares

Jornalista especializado em shows e vida saudável. Fã de música e livros.+ info

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